O dia em que fui levantada a Obreira

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Aquela quarta feira seria especial na minha vida. Há poucos dias havia completado 15 anos, uma data especial para toda menina, mas o meu maior presente estava por vir e eu nem fazia ideia de que Deus havia reservado uma surpresa para mim...

Eu fazia parte do Grupo de Evangelização e gosto muito de lembrar dessa época tão maravilhosa da minha vida. Da sede que havia (e permanece até hoje) de ganhar almas. 


Lembro-me especialmente do trabalho que fazíamos no Calabar, uma das comunidades mais carentes aqui de Salvador. Lembro-me de cada beco e de um dia que encontramos um grupo de jovens na esquina se drogando. 


Paramos, falamos de Jesus para eles e fizemos o convite para irem na igreja. A maioria não ligou. Mas senti uma grande alegria ao ver um deles, que estava naquela boca de fumo, drogado, ali na reunião. Uma alegria que se repete cada vez que uma pessoa é alcançada e que o Reino de Deus chega até ela. Alegria de ganhar almas.


Lembro-me dos convites que fazia à mão para evangelizar. Das noites de sábado preparando rosinhas de crepom para convidar as pessoas para irem à igreja...Tenho saudades dessa época.


A obreira Nice, que era a responsável pelo meu grupo, foi quem me indicou ao pastor Carlos Farias, (pastor responsável da minha igreja na época), para participar do Grupo de Candidatos a Obreiros. Eu estava sendo observada e nem sabia...


Passaram-se algumas semanas e depois do culto de Quarta feira à noite o pastor reuniu os Obreiros, os Candidatos e o Grupo de Evangelização, fez uma breve oração conosco e no final saiu apontado:


- Você, você, você (uns 9 candidatos)... e VOCÊ, a partir de hoje vocês são obreiros.


-Eu?! (Saiu sem querer)


-Sim, você mesma! 


-Sexta feira já quero vocês trabalhando na reunião. Os homens podem colocar uma calça preta, camisa branca e gravata preta e as mulheres saia preta, camisa branca e sapato preto. Vocês vão ficar na experiência.


Eu fiquei paralisada! Em mim havia um misto de alegria e também muito temor. 


Naquele instante comecei a chorar e pedi a Deus misericórdia, pois estava diante de mim uma grande responsabilidade, afinal ser obreiro não é apenas colocar um uniforme e ficar em pé na reunião, lidamos com almas! 


Todos os dias chegam pessoas cheias de problemas na igreja. Muitas desesperadas, com problemas físicos, financeiros, sentimentais e espirituais e é uma grande responsabilidade cuidar desse povo, pois eles chegam precisando de socorro e para socorrê-los, precisamos estar primeiramente bem com Deus e também preparados. Como estava a apenas algumas semanas como candidata, não imaginava que seria levantada tão cedo.


Eu pensava assim. Mas Deus não precisa de tempo para poder nos usar, tudo o que Ele precisa é de um coração disposto a servi-Lo e eu havia me colocado à Sua disposição, lá no Grupo de Evangelização.


Recebi muitos abraços e fui para casa. Parecia que estava flutuando...Não consegui dormir direito naquele dia e a todo momento me pegava suplicando: Senhor tenha misericórdia de mim e me capacita; me usa!


Lembro-me de como fiquei envergonhada a primeira vez em que fiquei em pé na reunião. Parecia que a igreja toda estava olhando para mim...


Lembro do fervor ao colocar as mãos na cabeça das pessoas para orar. Da primeira pessoa que ajudei a libertar. A primeira Santa Ceia que servir...Que honra ter sido escolhida para servir o corpo do meu Senhor! 


Não pude conter as lágrimas ao passar pelos corredores dizendo: Receba o corpo de Cristo...


Fazer a Obra de Deus é uma honra, mas não é preciso um uniforme para fazermos isso. Fazemos a Obra de Deus, quando falamos de Jesus para as pessoas, seja o nosso vizinho ou aquela pessoa que senta ao nosso lado no ônibus. Fazemos quando oramos por aqueles que estão sofrendo nos hospitais, asilos, nas cadeias. Quando oramos pelos pastores e bispos que estão espalhado nesse mundo pregando o evangelho. Quando oramos pela igreja. Quando devolvemos os nossos dízimos e as nossas ofertas...


Entreguei a minha vida para Jesus quando tinha dez anos e tinha plena consciência do que queria: servi-Lo. 


Recebi o batismo com o Espírito Santo aos catorze anos e junto com ele o desejo de ganhar almas. Aos quinze fui levantada a Obreira e me casei aos dezanove anos com Roberto (Pr.Santiago) e passei a servi a Deus no Altar.


Para muitos eu “perdi” a minha vida, deixei de “curti” os prazeres que esse mundo oferece. Será que perdi? 

Tenho plena convicção de que não, pois para mim sempre foi e sempre será uma honra ter sido escolhida por Ele para servi-lo e não há nada nesse mundo que tire essa convicção de mim.



Foto tirada em Angola



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